Friday, 15 June 2012

When I look at you, I'm home

Meu amor, não se vá. Eu não consigo continuar sozinha. Eu preciso te amar pra continuar respirando. Eu preciso de você para aquecer meu coração. Me abrace todas as vezes como se fosse a última e me dê um beijo no rosto. Segure em minhas mãos e diga que vai ficar tudo bem. Eu não quero que você se vá.
Propôs uma vez que subisse a montanha da vida com você, mas acho que tropecei no meio do caminho. Você tinha que continuar, mesmo sem mim. E eu quis que você voltasse. Ou ficasse enquanto eu descansava. Eu implorei que olhasse pra mim. A névoa já não possibilitava que eu olhasse seu rosto. Você se foi. Tornou-se algo que eu sabia que se tornaria. Sabia o tempo todo. Sabia que um dia chegaria o momento em que seus afazeres iria se sobrepor sobre meus pedidos de ficar ao meu lado. Suas palavras me machucam a tal ponto que eu decidi mudar o caminho. Decidi parar de te perseguir. Vou continuar mesmo sem você, mesmo que eu demore, mesmo que eu tropece mais do que de costume. Se dependesse da minha necessidade de sua presença, você não evoluiria para quem almeja ser. Você se foi antes mesmo de eu pedir para nos afastarmos.
Toda causa disso tudo é minha. Eu sou a culpada disso tudo. Ele mudou e eu deveria tê-lo acompanhado. Os acontecimentos de sua vida o tornaram uma pessoa insensível por fora e eu, extremamente sensível. A cada dia eu me via mais dependente e apegada a ele. Eu nunca consegui esquecer todas as coisas que fizemos e passamos. Nunca vou esquecer que ele foi a primeira pessoa a me dar a mão quando eu cai e queria desistir de tudo.
Eu, quando comecei a desconfiar que existia algo errado pelo que eu sentia por ele, entrei em desespero. Tentei coletar todas as informações possíveis para tentar me provar o contrário. Eu sabia que eu não podia sentir nada daquilo. Ou eu já estava me enganando há um bom tempo e tinha me tocado só depois. Desde que nos reencontramos eu sabia que eu ia amá-lo. Não sabia de qual forma nem até que ponto. Eu só sabia que não era só aquela perfeição corpórea que me fascinava. Eu, naquele dia, pensei que iríamos ficar juntos no futuro. Hoje, já não tenho tanta certeza assim. Não que eu ache que ele não me ama. Acho, inclusive, que ele reprime isso. A vida colocou uma garota incrível na vida dele, entretanto. Tenho certeza que eu não chego nem aos pés dela. Tiro essas conclusões pela forma que ele anda me tratando ultimamente. Como se eu não fosse nada, como se não fossemos nada um para o outro. Nem me lembro mais quando foi a última vez que ele disse que me amava. Não que isso importe muito, mas importa o suficiente.
Ontem foi a primeira vez desde muito tempo que ele não me dava aquele tipo de abraço. Ele se foi, mas ainda posso sentir o calor da sua blusa preta. Eu chorei nos seus braços. Chorei porque não queria que ele fosse, não queria ter que viver sem ele, mesmo sabendo que, por enquanto, é a única saída. Não dava para continuarmos do jeito que estava. Eu não posso continuar cobrando coisas que talvez ele nunca possa voltar a ser. Não posso obrigá-lo a gostar de mim de novo. Sei que algum momento isso existiu. Talvez nunca mais seremos as crianças de antes. Espero que tudo que se foi será de novo um dia ou melhor. Ou será que estarei a mercê de "nada do que foi será do jeito que já foi um dia"? Espero que não esteja alimentando falsas ilusões de que ele voltará, em amor, para mim.

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